Não faço mais planos nem
promessas pro novo ano. Os planos mudam, as promessas se quebram, e quando não,
são esquecidas com o tempo. Aprendi que ele, o tempo, é temperamental, relativo
e cheio de vontades. E eu, assim como ele, sou mais instável que uma montanha-russa
- quanto mais ele se arrasta, mais eu passo... Tudo passa! É para isso que eu
vivo: para chegar até o topo da montanha e cair vertiginosamente na esperança
de subir mais uma vez, para presenciar meus “Nãos” transformando-se em “Sins” e
ver meus medos sentindo medo de mim.
{Texto dedicado aos 'Nãos' que já caíram, e a todos os outros que estão prestes a desmoronar.}
Antes de mais nada quero que
saiba que já escrevi e reescrevi esta carta um milhão de vezes e quase desisti de
postá-la mais mil e uma. Mas a vontade de falar com você, mesmo sem obter
resposta, falou mais alto, então cedi. Aliás, a arte de ‘ceder’ é algo que
venho praticando muito nos últimos tempos, e é esse o motivo desta carta.
Eu sei que você tem medo do ‘pra
sempre’ e sente aquele frio na espinha só de pensar em compromisso. Sei também que você
foge dos seus sentimentos como o diabo foge da cruz e diz preferir a segurança
da solidão, mas vive cercada por livros de romance e suspira a cada ‘eu te
amo’, e chora a cada despedida, apesar de odiar despedidas. Sei também que você
tranca seus sentimentos à sete chaves numa gaveta, e quando eles tentam
explodir o fecho do cadeado você surta à ponto de fugir no primeiro avião sem destino
prévio, exatamente como você acabou de fazer.
Sei de todas essas suas
excentricidades e, na verdade, gosto. Mesmo quando os seus medos cismam de atrapalhar
a nossa vida. Eu gosto não só por achar engraçado, esquisito e bonito ao mesmo
tempo, mas porque se o seu medo é o ‘pra
sempre’ você não o gastará comigo, mas também com mais ninguém. Pode parecer egoísmo, e talvez seja. A verdade é que eu abriria mão de você pela sua felicidade, mas
isso não significa que eu abriria mão do que eu sinto.
Se acaso achar alguém que te faça
mais feliz do que eu fiz, se ele conseguir te arrancar um sorriso só com um
olhar, então se entregue e seja feliz. Eu sei quão difícil é conseguir essa
proeza, pois penei em sua rudez até começar a colecionar os teus sorrisos. Sei
que morrerei por dentro a cada riso teu, que não seja meu, mas quero que saiba
também que esse sofrimento será meu e não seu, nem de mais ninguém.
Quando se deparar com um lugar
bonito, tire uma foto, mande um postal. Dê sinal de vida, mas acima de tudo,
viva! Busque suas verdades, busque-se a si mesma. E quando se encontrar, se
algo ainda lhe faltar, volte e me procure. Estarei aqui esperando você e
os seus medos, suas bagagens e tudo mais o que vier. Quem sabe aí você descubra o que eu sempre
soube e quis te dizer, mas não pude, pra não te assustar. Pra te acalmar, fiz essa carta e uma canção. Ela não tem título, foi feita pra você
dar o nome. Então me responda quando puder. Se quiser.
Estou realmente empenhado em
ceder, mas antes quero que saiba uma coisa: o meu “pra sempre” sempre foi teu e se você ainda não percebeu, o que
falta em ti, sou eu. Mas até descobrir tudo isso, deixa pra lá...