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sábado, 17 de agosto de 2013

#Shelf - As crônicas de Nárnia: #1 O sobrinho do mago - C. S. Lewis


Título: As crônicas de Nárnia: O sobrinho do mago
Título Original: The Chronicles of Nárnia - The magician's nephew
Autor: C. S. Lewis
Editora: WMF Martins Fontes
Hearts: ♥♥♥♥

Sinopse: A aventura começa quando Digory e Polly vão parar no gabinete secreto do excêntrico tio André. Ludibriada por ele, Polly toca o anel mágico e desaparece. Digory, aterrorizado, decide partir imediatamente em busca da amiga no Outro Mundo. Lá ele encontra Polly e, juntos, ouvem Aslam cantar sua canção ao criar o mundo encantado de Nárnia, repleto de sol, árvores, flores, relva e animais.

Senhoras e senhores, finalmente começaram a devorar a um dos livros que estavam na meta de leitura da minha vida. Sim! Comecei a ler As Crônicas de Nárnia e como todo bom leitor, estou devidamente encantada. Tanto que não consegui esperar até o final para fazer uma resenha do livro todo, uma vez que as várias crônicas que compõem a história são bastante independentes. Por isso, fica aqui um pouquinho de O sobrinho do mago pra você, que assim como eu ama os filmes, mas não entendeu porque o cinema resolveu entrar no guarda-roupa sem nem mesmo contar como ele foi feito.
  
"Oh, filhos de Adão, com que esperteza vocês se defendem daquilo que lhes pode fazer o bem!
[...]
- Durma. Afaste-se por algumas horas de todos os tormentos que forjou a si mesmo."

Digory e Polly são duas crianças muito levadas que estão sempre em busca de aventuras. Eles vivem em Londres e aventura da vez é explorar um túnel que liga os porões de toda a vizinhança. Polly e Digory pretendem chegar pelo túnel à casa vazia - e provavelmente assombrada - que fica logo após à casa de Digory, mas devido a um erro de cálculos, os dos acabam indo parar no porão da casa do próprio Digory, o escritório proibido do louco do Tio André, um homem de dar medo. Acontece que a mãe de Digory anda muito adoentada, por isso o menino e sua mãe precisaram se mudar para a casa de tia Leta e tio André, e é lá no porão, onde tio André se esconde, que a aventura começa.

- Quer dizer, este bosque é apenas um dos mundos?
- Não! Acho que este bosque nem chega a ser um mundo. Não deve ser mais do que um lugar de passagem.

Tio André é um homem muito ambicioso e prepotente. Um mago estudioso de magia que, no entanto, não a entende muito bem, e acima de tudo, tem medo de testá-la em si mesmo. Por isso, quando vê Polly e Digory me seu escritório, não perde a oportunidade de fazê-los de cobaias e bola um plano mirabolante para enviá-los para outro mundo com ajuda de seus anéis mágicos – Amarelo para ir, verde para voltar. Acontece que o anel amarelo não leva exatamente a outro mundo, e sim a um bosque que dá acesso a todos os outros mundos. Mundos esses que Polly e Digory resolvem explorar e por isso acabam indo parar em Charn, a terra da temível Feiticeira Branca Jadis, a última rainha de Charn. Jadis destruiu Charn e está em busca de outro reino ao qual possa governar, e não vê maneira melhor de conseguir esse feito, que não através das crianças.

- Nárnia, Nárnia, desperte! Ame! Pense! Fale! Que as árvores caminhem! Que os animais falem! Que as águas sejam divinas!

Após muitas idas e vindas entre os mundos e uma confusão sem tamanho envolvendo Londres, a polícia, cavalos e uma tentativa insana de Jadis de governar a Terra, Digoy, Polly, Tio André, a Feiticeira e mais uma galera acabam indo parar acidentalmente na Terra de Nárnia, bem no dia de sua criação. Aslam, o Leão, dá vida a Nárnia e a todas as suas criaturas existentes com seu belo canto e sua voz poderosa, e tudo o que se planta, brota instantaneamente - sem dúvidas, uma das coisas mais belas que tive o prazer de imaginar. Mas como nem tudo são flores, a Feiticeira está à solta e cabe a Digory e Polly repararem o mal que causaram ao levarem a Feiticeira à Nárnia.
As crianças - Digory principalmente - embarcam numa árdua jornada à mando de Aslam em busca do fruto proibido que é capaz de proteger Nárnia da feiticeira e  selar a paz no reino. Mas como tudo tem seu preço, para conseguir o fruto, Digory terá que provar seu caráter e resistir aos desejos mais ardentes de seu coração.

 “Quando as coisas vão mal, parece que vão de mal a pior durante certo tempo; mas quando começam a ir bem, parecem cada vez melhores.”

Estou encantada com a história, e estou mais encantada ainda com os pequenos detalhes presentes na Crônica que ligam a história da criação de Nárnia ao segundo livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, onde finalmente conheceremos Lucia, Susana, Edmundo e Pedro, os reis e rainhas de Nárnia. C. S. Lewis é de ms sensibilidade incrível e conta a história assim em terceira pessoa. Às vezes até da a impressão de que tem alguém sussurrando cada palavra no seu ouvido, como se fosse uma daquelas histórias que se conta para crianças na hora de dormir.
Acabei de virar a página, estou agora entrando no guarda-roupa jundo com Susana, Edmundo, Pedro e Lucia para enfrentar a Feiticeira novamente. Afinal, ninguém é velho demais para ouvir belas histórias.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

#Shelf - Quem é você, Alasca? - John Green



“Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de conseqüências que resulta das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais quando perceber é inútil.”


Título: Quem é você, Alasca?
Título Original: Looking for Alaska
Autor: John Green
Editora: WMF Martins Fontes
Hearts: ♥♥♥♥♥

Sinopse: Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras — e está cansado de sua vidinha segura e sem graça em casa. Vai para uma nova escola à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o “Grande Talvez”. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young. Inteligente, engraçada, problemática e extremamente sensual, Alasca levará Miles para o seu labirinto e o catapultará em direção ao Grande Talvez. Quem é você, Alasca? narra de forma brilhante o impacto indelével que uma vida pode ter sobre outra. Este livro incrível marca a chegada de John Green como uma voz importante na ficção contemporânea.


"François Rebelais era poeta. Suas últimas palavras foram: Saio em busca de um Grande Talvez, é por isso que eu estou indo embora. Para não ter de esperar a morte para procurar o Grande Talvez."

Miles (Gordo) Halter é um adolescente muito inteligente e recluso. Gosta de ler biografias e colecionar últimas palavras, e é após ler as últimas palavras do escritor François Rebelais que Miles decide ir em busca de seu ‘Grande Tavez’, transferindo-se  da escola que freqüenta – onde leva uma vida medíocre e sem perspectiva - para a tradicionalíssima escola/internato Culver Creek.
Em Culver Creek, Miles conhece Chip (Coronel) Martin, o rei dos trotes da Culver e seu mais novo colega de quarto. Chip tem lá sua popularidade, sabe bem como pregar peças e agitar a Culver sem ser pego pelo Águia (o diretor), e para isso tem como aliados Takumi (divertido, rapper de primeira, detetive de gaveta) e Alasca Young (misteriosa, apaixonante, o mais novo amor da vida de Miles).

“Agora cumpre dizer que a garota era linda. Ao meu lado, no escuro, ela cheirava a suor, sol e baunilha, e, naquela noite de fina lua crescente, eu não enxergava muito mais que sua silhueta, exceto quando ela fumava, então a ponta chamejante do cigarro banhava seu rosto com um pálida luz avermelhada. Mesmo no escuro, eu podia ver seus olhos – ferozes esmeraldas. Ela tinha olhos do tipo que nos levam a apoiar todas as suas decisões.”

Juntos, Miles, Coronel, Takumi e Alasca enfrentam o labirinto da vida e da adolescência de peito aberto. De maneira, às vezes, inconseqüente – na maioria das vezes, na verdade -, mas muito... real. Os personagens são muito bem construídos, autênticos, divertidos, profundos e apaixonantes. E ver o crescimento dos mesmos ao longo do livro é simplesmente fantástico; Além das falas, é claro! Os diálogos são simplesmente impecáveis.
Tendo como título e, de certa forma, como assunto central o ‘relacionamento’ entre Miles e Alasca, é de se esperar que o livro conte uma grande história de amor, mas engana-se muito quem abre QÉVA achando que o livro trata-se disso. Miles é sim apaixonado por Alasca (pessoa), e o livro gira sim em torno da mesma, mas Alasca (o livro) não é uma história de amor. Pra falar a verdade, Alasca Young é uma megera - o que não a torna menos encantadora - e Gordo é bem ingênuo, quando comparado a ela. Ela é um mistério a ser desvendado, e Miles tenta desvendá-la, conhecê-la... Acontece que no processo ele acaba conhecendo a si mesmo.

“Simples assim. De centenas de quilômetros por hora ao repouso em um nanossegundo. Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolvê-la em meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era a garoa e ela, um furacão.”

John Green nos leva a perceber o impacto que as pessoas têm sobre a vida das outras. Nos leva a refletir sobre o quando podemos crescer num pequeno espaço de tempo e como nós somos na verdade uma sucessão de acontecimentos e decisões. É um livro bem profundo e filosófico. Aliás, John é especialista nesse tipo de história. Sempre o admirei por escrever livros tão profundos para um público acostumado com histórias tão rasas e superficiais, e minha admiração simplesmente multiplicou depois de Quem e você, Alasca? Pra falar a verdade, as quotes desse livro foram o chamariz para que eu me aventurasse pelo universo de John. Encontrei uma frase na internet, baixei o livro em inglês, li boa parte, mas resolvi guardar a história para quando tivesse o livro físico nas mãos, e não me arrependi.

Para os que ainda estão em dúvida, saibam que Alasca é um livro incrível que te faz refletir, rir e até mesmo chorar em certos momentos. Falando em chorar, dedico ao John o prêmio Taylor Swift da literatura, porque Olha... tá difícil segurar essa depressão pós livros, viu! Ainda estou de ressaca literária. Agora só me resta superar. Mais uma vez superar o fim de um livro tão delicioso. Espero que isso aconteça da maneira mais simples: rápida e diretamente. Mas creio que esse meu labirinto nunca vai ter fim. Aliás, se é pra sofrer por livros, eu prefiro o labirinto.

“Quando os adultos dizem: ‘Os adolescentes se acham invencíveis’, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Não nascemos, nem morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de tamanho e de manifestação. Os adultos esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e de fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar.”